Publicado em: 08 de maio de 2008 | Atualizado em: 20 de abril de 2011

Raves viram tema de dissertação de mestrado

A idéia central era investigar se as raves poderiam ser consideradas territórios TAZ - Zona Autônoma Temporária. O conceito de TAZ caracteriza espaços que podem ser considerados "de libertação" e foi elaborado pelo escritor anarquista Hakim Bey (o curioso é que esse nem era o nome verdaeiro dele, mas sim o que ele usava para assinar boa parte de seus escritos). Nos territórios TAZ, as regras de comportamento impostas pela sociedade podem ser burladas, possibilitando a libertação psicológica dos freqüentadores. Hakim Bey utilizou o termo para classificar os primórdios das festas raves, que tem raízes na cena underground, lá pelos idos da década de 1980. Antes de tudo, adianto que o trabalho de Alexandro já foi devidamente aprovado e, em breve poderá ser conferido aqui no Psicodelia.

O RESULTADO

Para saber se as raves atuais são realmente territórios TAZ, Alexandro mergulhou a fundo no tema e foi a campo. Esteve em seis festas, todas realizadas em Cuiabá, e entrevistou alguns de seus freqüentadores. Agora, pasmem com o resultado. Quem pensava que as raves eram locais em que se pode fazer de tudo, vai se surpreender com a conclusão a que o trabalho chegou. As raves de hoje, especialmente as mega raves, NÃO podem ser enquadradas no conceito de Zonas Autônomas Temporárias. A palavra certa para falar das raves atuais é controle. Esse controle parte de toda a organização da festa, como na existência de áreas VIP, cercas e câmeras de segurança. Acima de tudo, o controle está também na atitude dos freqüentadores. Afinal, a maior parte da galera que vai às raves acaba se preocupando demais com a roupa que vão vestir, com o próprio corpo e com o jeito que acham que devem se comportar. E a liberdade, onde que vai parar diante disso tudo? Parece que ela só existe mesmo na cabeça do público. Mas, é aí que fica o nó. Isso porque, no fundo, não é a sensação de liberdade, a idéia de que é na rave que as pessoas vão poder fazer o que der na telha, o que leva tanta gente a essas festas? Outro ponto interessante do trabalho de Alexandro é a análise do tema com base na Geografia Psicológica. Estranhou a relação entre Geografia e Psicologia? Curioso para saber mais sobre a conclusão a que Alexandro chegou em sua pesquisa acadêmica sobre raves? Então não perca a segunda parte desse artigo, quinta que vem, aqui no Psicodelia.

Escrito por: Cris Trevisan

Jornalista e estudante de Direito, foi em sua primeira rave há três anos. Desde então, não parou mais, buscando acompanhar sempre todas as novidades do mundo da música eletrônica.

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